O calçado para pé diabético deve ter costura interna reduzida, palmilha macia e removível, biqueira larga e ausência de pontos de pressão, características que ajudam a prevenir feridas e complicações associadas à perda de sensibilidade nos pés. Como o diabetes pode reduzir a percepção de dor e atrito, pequenos machucados causados por calçados inadequados costumam passar despercebidos até se tornarem um problema maior. A seguir, você entende o que observar na hora de escolher e quais cuidados complementam essa escolha no dia a dia.
Para quem só precisa do essencial:
- Prefira calçados com costura interna reduzida ou ausente, para evitar atrito constante.
- Dê preferência a modelos com biqueira larga e arredondada, sem apertar os dedos.
- Escolha palmilhas macias e removíveis, que possam ser substituídas por modelos ortopédicos se necessário.
- Evite calçados totalmente fechados sem ventilação, já que a umidade favorece infecções fúngicas.
- Examine os pés diariamente, já que feridas podem não doer devido à perda de sensibilidade.
Por que o calçado certo é tão importante para quem tem diabetes?
O calçado certo é essencial porque o diabetes, quando não controlado, pode causar neuropatia periférica, uma condição que reduz a sensibilidade nos pés e dificulta a percepção de dor, calor ou atrito. Segundo especialistas em diabetologia, essa combinação de baixa sensibilidade com má circulação sanguínea é o que torna pequenas lesões, como bolhas e calos, potencialmente mais graves em pessoas diabéticas do que na população em geral.
Por isso, um calçado malfeito ou apertado pode causar ferimentos que a própria pessoa não percebe de imediato, aumentando o risco de infecções e, em casos mais avançados, de complicações mais sérias.
Um ensaio clínico randomizado citado na diretriz de 2025 da Sociedade Brasileira de Diabetes acompanhou 334 pessoas com diabetes e alto risco de lesão por até cinco anos, comparando quem usava calçados e palmilhas sob medida com quem seguia apenas o tratamento padrão. Já no primeiro ano, 11,5% do grupo que usava calçado adequado desenvolveu úlceras, contra 38,6% do grupo controle, e essa diferença se manteve ao longo do acompanhamento. Os números reforçam que a escolha do calçado não é um detalhe estético, mas uma medida clínica com impacto mensurável.
Quais características um calçado precisa ter para quem tem pé diabético?
Um calçado adequado para pé diabético precisa reduzir ao máximo os pontos de pressão e atrito, ao mesmo tempo em que oferece espaço suficiente para eventuais deformidades comuns em pés diabéticos, como dedos em martelo ou joanetes. As principais características a observar:
- Interior sem costuras salientes: costuras internas ásperas são uma das maiores causas de lesões por atrito em pessoas com neuropatia.
- Biqueira larga e alta: evita compressão dos dedos, especialmente importante para quem já apresenta alguma deformidade.
- Palmilha removível e macia: permite adaptar palmilhas ortopédicas específicas, indicadas por podólogos quando necessário.
- Solado firme, mas flexível: oferece proteção contra objetos no chão sem comprometer o equilíbrio durante a caminhada.
- Fechamento ajustável: velcro ou cadarços permitem regular a largura do calçado conforme o inchaço dos pés varia ao longo do dia.
Quais erros evitar na hora de escolher o calçado?
O erro mais grave é escolher um calçado apertado esperando que ele “amoldar-se com o uso”, já que esse período de adaptação é justamente quando ocorre a maior parte das lesões por atrito em pessoas diabéticas. Segundo especialistas em podologia, o calçado deve ser confortável desde o primeiro uso, sem a necessidade de um período de ajuste doloroso.
Outros erros comuns:
- Usar calçados sem meias ou com meias muito finas, que reduzem a proteção contra atrito.
- Comprar o calçado pela manhã, quando o pé está menos inchado do que no restante do dia.
- Ignorar pequenas alterações na forma do pé ao longo do tempo, comuns em quadros de neuropatia avançada.
- Usar o mesmo par todos os dias, sem alternância, o que aumenta o desgaste em pontos específicos do calçado.
Quais cuidados diários complementam o uso do calçado adequado?
Além de escolher o calçado certo, alguns cuidados diários são essenciais para prevenir complicações nos pés de quem tem diabetes. Estudos sobre saúde do pé diabético apontam que a inspeção visual diária é uma das medidas mais eficazes e, ao mesmo tempo, mais simples de prevenção.
Um levantamento realizado em unidades de saúde de Minas Gerais com pacientes diabéticos mostrou que 71% deles usavam algum tipo de calçado inadequado, enquanto apenas cerca de um terço tinha o hábito de examinar os próprios pés regularmente. A neuropatia periférica, responsável pela perda de sensibilidade que torna esse cuidado ainda mais necessário, pode afetar até metade das pessoas com diabetes ao longo da doença, segundo dados publicados na Revista Brasileira de Ortopedia.
Recomendações complementares:
- Examinar os pés diariamente, verificando bolhas, cortes ou áreas avermelhadas, mesmo sem sentir dor.
- Manter os pés hidratados, evitando rachaduras, mas sem aplicar creme entre os dedos.
- Cortar as unhas em linha reta, evitando cantos que possam encravar.
- Trocar de meias diariamente, priorizando modelos sem costuras internas grossas.
- Buscar acompanhamento regular com podólogo ou endocrinologista, especialmente diante de qualquer ferida que não cicatrize rapidamente.
Quando é hora de procurar um profissional para avaliar o calçado?
É hora de buscar orientação profissional sempre que surgirem calos frequentes, vermelhidão persistente, alterações na forma do pé ou qualquer ferida que demore para cicatrizar. Segundo especialistas em ortopedia, o acompanhamento com podólogo é recomendado periodicamente para pessoas diabéticas, mesmo na ausência de sintomas visíveis, já que algumas alterações só são identificadas em avaliação clínica.
Moradores da Grande BH que buscam esse tipo de acompanhamento costumam encontrar atendimento especializado em unidades de saúde de Belo Horizonte, Contagem e Betim, além de clínicas particulares de podologia voltadas especificamente para o cuidado do pé diabético.
Escolher o calçado para pé diabético é uma medida simples que pode evitar complicações significativas, sendo parte essencial dos cuidados diários recomendados para quem convive com a doença. Vale reforçar que casos que já apresentam deformidade, histórico de feridas ou alto risco costumam exigir calçados ortopédicos feitos sob medida, com prescrição de podólogo ou ortopedista, algo que vai além do que um calçado convencional pode oferecer. Para o dia a dia, no entanto, características como biqueira larga e materiais macios já fazem diferença na prevenção, e é nesse ponto que um calçado bem escolhido, como os disponíveis na Decker Calçados, pode ajudar a complementar os cuidados recomendados pelo profissional de saúde.
Perguntas Frequentes
Qualquer tênis confortável serve para quem tem diabetes? Não necessariamente. Além do conforto geral, é preciso verificar detalhes específicos, como ausência de costuras internas ásperas e biqueira larga, que um tênis comum nem sempre oferece.
Pessoas com diabetes podem usar sandálias abertas? O uso de sandálias abertas costuma ser desaconselhado, já que elas expõem os pés a maior risco de cortes e machucados que podem passar despercebidos devido à perda de sensibilidade.
Palmilha ortopédica é sempre necessária para quem tem diabetes? Não é obrigatória em todos os casos, mas costuma ser recomendada por podólogos ou ortopedistas quando já existem deformidades nos pés ou histórico de feridas recorrentes. Nesses casos, a palmilha costuma ser feita sob medida, a partir de avaliação e prescrição do profissional de saúde.
Com que frequência devo trocar o calçado se tenho diabetes? O ideal é avaliar o estado do calçado com mais frequência do que o habitual, já que o desgaste interno pode criar pontos de atrito que não são visíveis externamente, comprometendo a proteção oferecida.
Diabetes sempre causa problemas nos pés? Não necessariamente, mas o risco aumenta quando a doença não está bem controlada, por isso o acompanhamento médico regular e os cuidados preventivos, incluindo o calçado adequado, são recomendados para todos os diabéticos.
